Produção gráfica avançada
DOBRAS
Quanto ao acabamento do impresso, alguns cuidados devem ser tomados em relação às dobras. É recomendável evitá-las sobre áreas que receberam cores escuras. Dificilmente, após a dobra, as fibras do papel não serão reveladas, provocando aquele aspecto desagradável de "quebrados" brancos. Esse fenômeno pode ocorrer mesmo que a dobra tenha sido previamente vincada.
Outro erro muito comum em materiais com duas ou mais dobras é a produção de todas as partes do trabalho no mesmo tamanho, fazendo com que haja sobreposição das partes ou ainda uma dobra muito justa. Lembre-se de fazer a compensação das dobras, como por exemplo: um material A4 landscape, deverá ter 2 partes com 10 cm e a terceira com 9,7 cm, ficando com 10 x 21 cm no formato fechado.
COMPENSAÇÃO DE PÁGINAS
Dependendo do número de páginas de um impresso com acabamento de lombada canoa (grampeada) há necessidade de compensação das páginas em virtude do número de lâminas - quanto mais volumoso, maior a diferença. A lâmina central ficará menor do que a capa. Faça um boneco para verificar e prevenir esse problema, calculando uma compensação das páginas.
TONALIDADES CMYK
Os percentuais de cores em quadricromia: (ciano + magenta + amarelo e preto) nunca devem ultrapassar 320%. Quando isto ocorre, haverá uma saturação de carga de tinta no papel, comprometendo a qualidade do impresso.
Lembre-se: o processo gráfico reproduz a gama de cores utilizando as quatro cromias básicas (ciano + magenta + amarelo e preto). Muitas cores que vemos no monitor (cores RGB - Red (vermelho), Green (verde) e Blue (azul)) ou que observamos em um cromo (tom contínuo), por exemplos, são impossíveis de serem reproduzidas no sistema offset. Esta "deficiência" é inerente aos processos diferentes de formação de cores e ocorre, principalmente, com laranjas, azuis e verdes.
COR DA BASE
Todo mundo sabe, mas é bom lembrar que, ao usar em seu projeto 100% preto (chapado), é conveniente calçá-lo (usar mais uma cor de base) com pelo menos 30% de ciano. Tal procedimento irá garantir uma cobertura mais uniforme do preto, evitando manchas.
CORES CHAPADAS
Na utilização de cores chapadas escuras é conveniente especificar sempre a aplicação de camadas protetoras nos impressos (verniz UV, plastificação ou laminação). Isto evita que o material fique comprometido pelas desagradáveis manchas causadas pela gordura dos dedos.
CORES ESPECIAIS
Procure consultar as "tabelas de cores" para prever como será a reprodução de uma determinada cor especial. Nunca tome como base a tonalidade da cor percebida no monitor. Para se obter uma determinada cor Pantone em CMYK procure em uma tabela específica, denominada "solid to process".
Você já deve ter percebido que as tabelas Pantone possuem, após o código numérico, a letra "U" ou a letra "C". Estas letras designam o tipo de suporte utilizado para reprodução daquele determinado tom e o resultado que será obtido. (U de uncoated) e (C de coated). Uncoated refere-se aos papéis que não possuem revestimento, como o offset ou alta-alvura. Coated são aqueles revestidos, como os couchés. Por isso é bom atentar para as diferenças da reprodução das cores, que têm os seus tons bastante alterados em função do tipo de papel utilizado.
FORMATOS
Existe uma confusão muito grande em relação à terminologia empregada para designar folhas, páginas e lâminas. Uma folha nada mais é que uma folha de papel. Tem sua frente e seu verso. A página refere-se a uma das faces do papel (um lado de impressão). Exemplo: uma folha tem duas páginas. Já a lâmina é uma forma de especificação de um produto gráfico.
Exemplo: um boletim com 16 páginas possui 4 lâminas. Portanto, considere múltiplos de quatro para a elaboração de um impresso com várias lâminas. Um boletim ou uma newsletter, com uma dobra, é sempre impresso em múltiplos de 4 páginas, denominados cadernos. Portanto, um caderno tem, neste caso, quatro páginas.
IMPRESSO SANGRADO
Em um projeto de impresso sangrado (quando o grafismo supera o formato final), não esqueça de deixar margem de pelo menos 3 mm para a operação de corte evitando assim o aparecimento de filetes brancos.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRESSÃO
Quando encaminhar um trabalho, forneça as informações necessárias, anexando indicação de cores, bonecos, esquemas de montagem, corte, colagem, intercalação. Este procedimento irá garantir rapidez na execução.
ORÇAMENTO
Ao solicitar um orçamento gráfico é bom manter sempre um check-list dos itens. Isto irá facilitar o trabalho do orçamentista e com certeza, agilizar o seu também.
a) Formato - Especifique as dimensões do impresso. Caso ele possua dobras, há necessidade de fornecer o formato aberto e o formato fechado. Exemplo: uma revista que possua o formato fechado 210 x 280 mm com uma dobra central. O formato fechado é 210 X 280 mm, e o aberto, 420 x 280 mm. Vale lembrar que a especificação de formato deve estar baseada em algo denominado pelas gráficas como "aproveitamento de papel". Isto nada mais é que o melhor aproveitamento de folhas enquadradas do seu impresso nas folhas inteiras de formatos padrões do mercado. Exemplo: se o formato do papel utilizado pela gráfica é 66 x 96 cm, deve-se calcular formatos que aproveitem da melhor forma possível a área útil da folha para evitar desperdício. É conveniente consultar sempre a Norte Sul Gráfica para saber qual o formato do papel utilizado para aquele serviço específico.
b) Número de lâminas ou número de páginas - Indique quantas lâminas de formato aberto tem o seu material. Caso tenha dúvida nesse item converse com o orçamentista, que ele poderá ajudá-lo.
c) Cores de impressão - Informe o número de cores utilizado tanto na frente quanto no verso do papel. Daí vem a configuração utilizada: 1 x 1, 4 x 4, 4 x 2 cores. Não esqueça de informar sobre a utilização de cores especiais (escala Pantone) ou quadricromia (cores de escala padrão).
d) Tiragem - Estabeleça a quantidade de impressos desejados. Para impressos em offset, há uma economia de escala (quanto maior a tiragem, menor o custo unitário).
e) Acabamento - Existe uma variedade muito grande de acabamentos para o produto gráfico. Antes de especificá-lo, procure conversar com a gráfica para saber o mais conveniente ao seu produto. Via de regra, são esses os tipos de acabamento mais freqüentes:
Lombada canoa: acabamento de grampos.
Lombada quadrada: tipo livro, com lombada reta, podendo ser colado ou costurado.
Dobra: número de dobras do impresso. Para papéis mais grossos, confira se há necessidade de vinco, para não "quebrar" na dobra.
Plastificação/Laminação: película aplicada ao impresso deixando-o com um aspecto brilhante no caso da plastificação brilho ou aveludada no caso da laminação BOPP. Informe sempre em qual(is) face(s) do papel será aplicado.
Verniz: o verniz de cura ultra-violeta (UV) pode ser aplicado em toda a área do impresso (total) ou ainda em áreas específicas (com reserva) em que se deseje ressaltar com brilho, tais como sua logomarca, uma foto, etc. Informe sempre em qual(is) face(s) do papel será aplicado e no caso do verniz com reserva o percentual da área a ser aplicada.
Raspadinhas: cobertura destinada a ocultar áreas do impresso de maneira a promover a curiosidade em seu material promocional. Informe sempre em qual(is) face(s) do papel será aplicado bem como o percentual da área a ser aplicada.
Corte especial: é aquele corte feito com facas de corte e vinco. Esse tipo de acabamento é sempre necessário quando o formato do impresso for irregular (não retangular/quadrado) e não puder ser feito em guilhotina.
PONTO DE RETÍCULA
Na medida do possível, deve-se evitar retículas com percentual acima de 50% aplicados próximos a elementos chapados.
PROVAS
As provas obtidas a partir de fotolitos (cromalim, matchprint e outras) não reproduzem a impressão offset. São provas feitas a partir do fotolito, porém o processo apresenta algumas distorções em relação à reprodução das cores, embora o resultado seja bastante satisfatório. Normalmente, nestas provas, as cores são muito estimuladas e tornam-se extremamente vibrantes. A prova de prelo ainda é o processo que mais se aproxima da impressão offset, pois utiliza do mesmo princípio de impressão, inclusive gerando lâminas com as separações e somatória das cores tal qual as impressoras fazem. Ainda em relação à prova de prelo é recomendável utilizar o mesmo suporte (papel) que o da impressão. É o tipo de prova ideal para montagem de bonecos e mock-ups para apresentação ao cliente, principalmente para aqueles trabalhos críticos ou quando utilizam cores especiais.
TEXTO VAZADO
Sempre que houver a necessidade de vazar um texto, isto é, colocar letras claras sobre fundo escuro, evite o uso de fontes light. A tendência é que na impressão as fontes tornem-se mais "finas", ocorrendo comprometimento da leitura.
É conveniente não vazar um texto em preto sobre uma cor clara (fundo). Assim evita-se a formação de filete caso haja pequena variação no registro das cores em situação de impressão. Essa recomendação vale somente para o caso do texto em preto. Caso o texto seja de alguma outra cor da escala cromática ou mesmo uma cor pantone, deve-se utilizar o recurso do "overprint" para que não se obtenham cores indesejáveis, resultados da soma de duas cores. A tinta offset, apesar de não parecer, é transparente.
VISUALIZAÇÃO DAS CORES
Lembre-se também que a cor está diretamente relacionada ao iluminante. Na prática, a visualização das cores é alterada de acordo com a luz que incide sobre o objeto. Procure sempre analisar originais e impressos com uma fonte de luz calibrada na faixa dos 5.000K (Kelvin). Para facilitar estas avaliações, existem cabines de luz apropriadas para compra no mercado.
Uma aparente mudança de cor do impresso pode ocorrer após os processos de laminação ou aplicação de verniz porque a visão é enganada pela mudança de brilho no impresso ou ainda pelo aspecto leitoso da laminação ou revestimento. Alguns pigmentos pantone (notadamente Reflex Blue, Rhodamine Red e Pantone Purple) são ainda afetados (sofrem um leve branqueamento) pela reação que provocam ao entrar em contato com o verniz UV ou com o adesivo da laminação.